Números fascinantes, habilidades fora do comum e uma magia para lá de especial. Essas são as caracterÃsticas predominantes da arte ancestral mais popular existente entre os homens: a circense. A globalização e a massificação da mÃdia também fizeram com que o teatro, o cinema e, principalmente, a televisão caÃssem no gosto das pessoas. Para competir lado a lado com essas opções de entretenimento, o circo precisou se reinventar.
Hoje, a lona e o picadeiro perderam um pouco da sua força, mas não deixaram de divertir os espectadores. Segundo a Coordenação Nacional de Circo, ligada à Fundação Nacional de Arte (Funarte), existem atualmente espalhados no território brasileiro mais de 700 grupos, grande parte concentrada nas regiões Sudeste e Nordeste. O Sul também não fica para trás. Somente na Grande Porto Alegre há dois circos de grande porte, sendo que os demais, cerca de 15, estão distribuÃdos nas cidades periféricas. Um deles é o Luminare.
Comandado pela famÃlia Salgueiro, ele ainda está engatinhando. “Deixei há duas semanas o Dralion – um grupo famoso que é inspirado no Cirque du Soleil – para ter o meu próprio negócio. Trouxe comigo minha esposa e meus seis filhos. Assim como eu, meus pais e tios, eles nasceram dentro do circo e têm paixão por colocar o pé ‘na estrada’”, conta o proprietário Gilberto, também conhecido como Palhaço Sardinha. Ele confessa que, apesar de fazer o que mais ama, vida de circo pequeno não é fácil: “Em grandes shows, a platéia se encanta, nos pequenos, alguns espectadores tiram ’sarro’ dos artistas. Cruzamos também com aqueles espetáculos que existem somente pela mercantilização dessa cultura. Precisamos ainda driblar as dificuldades de acomodação, pois moramos em trailers, e conviver com os problemas climáticos, financeiros e escolares em função das viagens. A marginalidade dos bairros mais pobres, a falta de divulgação e apoio cultural nos municÃpios pelos quais passamos e a burocracia que nos é imposta pelas prefeituras e órgãos públicos também fazem parte da nossa rotina.”
Porém, contrapondo essa visão pessimista, o circense revela as vantagens do trabalho artÃstico. De acordo com ele, a recompensa são os amigos que tem feito ao longos dos anos, os vários lugares visitados pelo Brasil afora e o aplauso, o sorriso ou o abano de um simples alguém.Â
Em relação à modernização, Gilberto é categórico: “Com certeza, ela veio para melhorar as nossas histórias, já que nos últimos dez anos a carreira circense não estava boa para ninguém. Com os estÃmulos à consciência ecológica, a população passou a repudiar os shows com animais, e hoje o esforço humano é muito mais valorizado. Acho isso fantástico!”
João Bachilli, diretor do espetáculo pelotense Tholl, Imagem e Ação – que tem encantado multidões pelo PaÃs – compartilha da mesma opinião. Para ele, é deplorável utilizar animais silvestres em apresentações. “O lugar deles é no seu habitat natural. Há quem os cuide bem, mas sei de casos de maus tratos assustadores. O ser humano é capaz de atitudes cruéis!”
Segundo ele, a abstenção do uso de animais é uma das principais modificações que o circo sofreu ao longo dos anos, assim como a mistura da dança e do teatro e a aplicação de tecnologias de ponta. “O circo sempre foi minha grande paixão. Por isso aliei à s suas técnicas elementos de palco, e, assim, o espetáculo passou a combinar comédia, corda acrobática, tecido aéreo, equilibrismo, pernas-de-pau, pirofagia (fogo), monociclo-malabares e contorcionismo”, relata Bachilli.
A explicação para esse novo formato vem logo em seguida: “Minha intenção não era contar uma história, mas mergulhar nas sensações do público, simplesmente emocionar”, observa, destacando que seu principal objetivo, desde o inÃcio, foi fazer renascer no coração dos homens o amor pelo circo. E parece que deu certo, visto que, como o Cirque du Soleil, o Tholl tem sido apreciado por muitos.
“Surge no meio circense essa nova versão em que artistas parecem ultrapassar um portal de sonhos para se tornarem reais. Só espero que isso não seja um modismo”, conclui.
Na percepção de Mário Orfei, filho de um dos grandes circenses dos últimos tempos – Orlando Orfei – todas as mudanças ocorridas são muito válidas, mas não devem ser encaradas como tão positivas assim: “Circo para ser circo tem que viajar, ter animais, palhaços e acrobatas. O público se diverte com isso.” Para ele, a proibição das apresentações de animais é uma grande tristeza, e os boatos de maus tratos, inverdades. O artista afirma que as acusações são injustas e garante que os animais não sofrem no dia-a-dia: “Em um estudo na Inglaterra, foi provado o companheirismo existente entre o ser humano e os animais nas relações circenses. Eles nos ajudam a trabalhar. Meu elefante morreu com 62 anos e há 54 estava conosco. Como poderia maltratá-lo? Ele veio antes de eu nascer. Como diz meu pai, o circo sem animais perde a sua alma.”
adorei esse tipo de linguagem………………
bjs e até……………..