Alguns espectadores têm idéias conceituais diferentes sobre o circo. A jornalista Roberta Muradás contesta as artimanhas dos circos tradicionais. Ela assistiu aos shows quando criança: detestou ver os animais sendo manipulados e não achou graça nas brincadeiras dos palhaços. Ao vislumbrar o espetáculo Delirium do Cirque du Soleil, no Canadá, a profissional teve uma experiência nada semelhante: “Eu adorei! Foi algo de outro mundo, um espetáculo de luz e som e de superação do corpo e da vida. E o sucesso não vem só com os muitos artistas das mais variadas nacionalidades. A composição, a interação que há com o público. Tudo milimetricamente em sintonia. É isso que encanta. A ginástica olímpica emociona, assim como as canções e as danças. A companhia é um pouco disso misturada a magia da tecnologia. Os imensos telões que tinham a minha volta eram de impressionar e fizeram com que eu me sentisse dentro do show”, observa.
O professor da disciplina de Comunicação e Arte da Unisinos, Gilmar Hermes, faz uma análise midiática da nova era do circo. Conforme os seus estudos, além de ter uma função comunitária, pois é um local onde o público se encontra, o circo tem como foco o divertimento. De acordo com ele, retomou suas raízes teatrais e tem contado com o auxílio dos recursos tecnológicos para se aproximar cada vez mais do ser humano do Século XXI. “O público tem fortes laços de intimidade com essa arte e, muitas vezes, não sabe o porquê. Eu sou fascinado pelo circo, para mim ele é a realidade paralela da alegria. Quem já viu um jamais esquece”, avalia o especialista, como amante dessa cultura. O professor, no papel de espectador, participou de uma das apresentações do Tholl, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. “É impressionante a qualidade dos números. Os artistas são pessoas simples que se tornam extremamente grandiosas em cima de um palco. Toda a sua magia está em ultrapassar os limites”, finaliza.
[...] A arte pelo público [...]