“Tatuar” no coração um lugar da terra natal no qual se passou momentos importantes ou se conheceu pessoas especiais é super natural na vida de muitas pessoas. Na de Ildefonso Teixeira da Silva não foi diferente. Logo cedo, este capilé, mais conhecido por Fonso, começou a ter uma forte relação com a Rua Grande. Ao perceber a movimentação do ambiente, as novidades do comércio e o vai e vem de gente, ele não teve dúvida: adotou a rua como sendo sua segunda casa.
A ligação com a Independência também era em função de suas atividades políticas, nas quais sempre esteve envolvido. Militante do Partido dos Trabalhadores desde jovem, ele via naquela rua um espaço para cultivar alianças, conquistar aliados e debater idéias políticas. O “palanque” era o bar Senadinho, em que, periodicamente, se reunia aos amigos para conversar.
“Pode-se dizer que era o escritório particular dele. Tinha muitos amigos por ali, que sempre o paravam para cumprimentar. Era difícil andar algumas quadras”, brinca Laísa, a sua filha caçula e herdeira de todo o seu bom humor.
Fonso, no papel de estudante, ainda explorou áreas como o Direito, a Química e o Recursos Humanos, mas a paixão pela política o venceu. Depois de apoiar políticos como Lula, Tarso Genro e professor Nado, ele realizou o sonho de assumir a presidência do PT em São Leopoldo - paralelamente a posse do atual prefeito Ary Vanazzi (PT/RS).
Durante o período em que permaneceu no cargo, como sempre, não mediu esforços para lutar por seu partido. Assim também o fez na batalha contra o câncer, descoberto há três anos. A sua família – Rita, a esposa, e seus dois filhos, Guilherme e Laísa – o amparou de todas as formas. Contudo, Fonso não resistiu e faleceu aos 46 anos, deixando lembranças de um político guerreiro, um pai amoro e uma pessoa doce e bem humorada.
No Memorial Ecumênico Cristo Rei – Cemitério Parque, seu corpo foi velado por amigos e parentes, e cremado em 1º de abril deste ano. Em seguida, suas cinzas, a seu pedido, foram espargidas. Laísa conta como tudo ocorreu: “Parte, minha mãe largou de ultraleve por cima da cidade. Depois, de carro, deixamos mais um pouco na Rua Grande, e o restinho, meu irmão e eu levaremos ao Coliseu, na Itália. Ele sempre quis conhecer este lugar, mas nunca surgiu a oportunidade. Então, nós o representaremos e faremos isso em sua homenagem”, conclui.
[...] Meu escritório, minha casa [...]