Desde que João Bachilli se conhece por gente, as artes fazem parte de sua vida. Natural de Pelotas, o artista teve uma infância marcada por atividades que deram asas à sua imaginação. “Adorava desenhar, brincar de circo, coisas que faço até hoje.”
Ele comenta que herdou esse talento de sua avó paterna: “Ela era uma florista fantástica, fazia arranjos estupendos e confeccionava flores para grandes estilistas”. João também sempre teve apoio familiar e incentivo escolar para se dedicar aos ofícios dos quais realmente gostava: o circo, a dança e o teatro. Ele conta que o pai, um dia, lhe disse: “Eu quero que você faça o que lhe deixa feliz, nem que a sua escolha não te dê retorno financeiro. Eu me responsabilizo por isso”.
A partir daí, o artista começou a trilhar o seu caminho de sucesso, calcado em sua imensa capacidade de inovar. O início de tudo foi na escola, com aulas de teatro. Aos 12 anos, iniciou na Ginástica Olímpica, mas trocou o trampolim pelo palco aos 25, quando o prazer de criar se tornou maior do que o de treinar. Como ator, João participou de vários espetáculos.
Já na direção, comandou peças infantis e adultas. Mas a sua carreira decolou de verdade, em 2002, com o nascimento do grupo Tholl, que reconstrói o conceito de picadeiro, fazendo do espetáculo uma criação diferente de qualquer outra. “O circo sempre foi minha grande paixão; os números e as acrocabias me encantam. Por isso, aliei esse mundo mágico às técnicas de teatro. Porém, minha intenção não era contar uma história, mas mergulhar nas sensações do público, simplesmente emocionar!”, declara.
Inspirado pelo pai e com a ajuda dos amigos, ele iniciou a composição do Tholl, que durante uma hora e 25 minutos combina, em uma caixa cênica (palco com coxias e cenários), dança, comédia, técnicas de corda acrobática, tecido aéreo, equilibrismo, pernas-de-pau, pirofagia (fogo), monocíclos-malabares e contorcionismo.
Nos bastidores, são oito profissionais e, em cena, 17 atores, entre crianças e adolescentes selecionados pela Oficina Permanente de Técnicas Circenses (OPTC), fundada há 20 anos por João, com a proposta de trabalhar a inclusão social. “Interagimos com a comunidade, unindo as classes sociais e provando que as diferenças só existem em relação a questões finaceiras, já que todas as pessoas são donas de um talento que precisa ser desenvolvido”, enfatiza.
Hoje, o Tholl, que já é um sucesso em todo o Brasil, está com a agenda lotada (confira em quais cidades gaúchas o grupo Tholl estará se apresentando no mês de dezembro) e tem se apresentado em muitos programas nacionais de televisão. E aos 43 anos, João nem pensa em parar e já está trabalhando para concretizar mais um de seus sonhos, a peça “Kaiumá, a Fronteira”. E tempo para descansar? Que descansar que nada. Nas horas vagas, basta uma boa música ou um filme interessante para “recarregar a bateria” – e a criatividade – deste artista.
[...] Um artista em cena [...]